Sexta-feira, Agosto 17, 2007
Uma virginiana, envolvida em seus próprios métodos não convencionais de viver. Alguns até cabiam tão perfeitamente nos moldes corriqueiros da rotina em massa que disfarçavam muito bem que eram na realidade trejeitos típicos adquiridos pela posição de todos os astros ao nascer. Sua presença era vista nas ruas com o sol já queimando alto e sua falta não era sentida no gelo de começo de noite. Morava no fundo de um velho casarão central que acabara de ser reformado. Não vivia de bicos, não vivia de gatos e também não vivia de luz. Um pouco estrábica, franzina e pálida não passava despercebida pelos becos e centros que percorria. Tinha uma beleza singular que poucos conseguiam ver e ninguém ousou esmiuçar. Para muitos, quase todos, passava como uma maria ninguém, sem prumo e pouco rumo. Andava quase o dia inteiro pelas ruas centrais se arriscando poucas vezes na periferia da cidade embarcando pelos fundos dos ônibus lotados. Fazer oque? Não se tem com precisão essa informação, até porque, a seu respeito não há nem informação, quanto mais precisão. Os expectadores diários da sua aparente não rotina viviam a se perguntar como afinal levava essa sobrevida, como comia, de onde vinha e para onde tinha pretensão de ir. Será que havia pretensões? Ela nunca pediu dinheiro nem comida. Nunca foi vista em qualquer tipo de estado alterado da sua aparente falha percepção. Nunca ninguém ouvira a voz daquela andante. Não sabiam se era muda, surda ou louca. No entanto nunca ninguém lhe deu bom dia, boa tarde ou como vai. Alguma coisa naquela rapariga intimidava quem trafegava de alguma forma pelo seu caminho. Uma espécie de poder saia daquele corpo fraco fechando a boca dos que tinham a intenção de lhe dirigir a palavra. Sempre usava a mesma roupa, porém tanto a roupa quanto o corpo se mantinham limpos dia a dia. Exalava um cheiro característico nunca antes sentido, não havia substantivos que especificassem a mistura possível para resultar naquele aroma que era agradável ao passar mas não deixava saudade.Uma virginiana andante, estrábica e com uma não rotina tão detalhada e performática que parecia seguir um roteiro pré-determinado. Dos fundos do casarão cheirando tinta não se ouvia vozes, gritos, choros ou qualquer outro vestígio e vida humana. Chegava sempre por volta das 7 horas passadas da noite entrava pelo pequeno portão quase imperceptível ao lado da imensa fachada, só o que via era um corredor de terra que ao encontrar o grande muro de limite do terreno continuava a esquerda como que contornando a casa. O vulto chegava silencioso fazia o caminho e silêncio. Por volta das 9 horas matinais do dia seguinte fazia o trajeto contrário e saia para a peregrinação.Assunto geral dos moradores centrais, já se passavam 2 meses que esse silêncio estrábico intrigava e ouriçava a imaginação daqueles seres sedentos por estórias. 2 dias sem vulto, 2 dias passados sem a pequena sombra fraca. Ao fim do terceiro dia por volta das costumeiras 7 horas já passadas da noite, carros e mais carros praticamente trancavam a ruela já escura. Pessoas finas, mulheres em saltos e vestidos al dentes, homens pingüins, carro da televisão local. Um senhor alto, magro e igualmente estrábico para em frente ao principal acesso ao interior do casarão enquanto dois homens sobem em escadas fixando uma enorme faixa com os dizeres: HOJE: EXPOSIÇÃO INAUGURAL E FINAL DOS OLHOS DE LORI NIVES.
Todos mantêm um silencio quase constrangedor e olhos fixos no movimento lento do velho homem ao abrir a grande e única porta da casa. Escuridão e cheiro de uma podridão doce sai da umidade ainda densa. A luz é acesa e todos batem palmas. Cada cômodo, cada canto foi performáticamente montado em arte em cima de cada sentido humano. Todos andavam extasiados e um pouco sufocados com o cheiro que ficava em segundo, terceiro quase quarto plano perante a embriaguez de sentidos ao qual os nobres visitantes eram submetidos. Ninguém na rua entendia nada, afinal cadê a rapariga muda que entrara e não saíra mais? Um grito, corpos caindo em desmaios, gente correndo. Silêncio. No quarto principal, mais iluminado e úmido de todos estava a obra mais cara e mais rara daquela excepcional e única exposição. Na entrada do quarto haviam dois olhos cravados à moldura em madeira maciça da porta, o sangue ainda escorria daquela carne esponjosa e nojenta. Eles não piscavam. Nas paredes laterais apenas manchas vermelhas nada poéticas parecendo mais mãos sujas de barro estrategicamente “pintadas” por crianças encapetadas. A obra máxima se encontrara entre a parede fundo do quarto e o chão. Um corpo nu, franzino, com seios pequenos e pêlos ralos, quase inexistentes encontrava-se pregado meio pela metade. Uma mão ainda pendia cheia de calos. Pés pregados por uma estaca e amarrados por infantis fitas azuis. A mão esquerda totalmente pregada na parede branca com pingos cor de rosa. Os cabelos ralos estavam pelo chão vermelho. Careca agora estava. Uma coroa de rosas era o que de mais sutil podia ser presenciado. No chão estrategicamente ordenadas para finalizar a obra, flores faziam o desenho de um grande coração daqueles infantis, o sangue fazia o contorno e o centro mantinha o branco do chão perfeitamente polido. Exposição única. Prazo de execução 2 meses. A expositora não está apta à dar autógrafos. Não há curadores da obra.
Bárbara Ferlin.
É dia de sol e chuva. São braços incontáveis de abraço forte.
É cabelo vermelho e amor pulsante.
Bárbara é dia de sorte.
A foto é de Patti Smith. "Poetisa, cantora e música norte-americana. Ela tornou-se proeminente durante o movimento punk com seu álbum de estréia, Horses em 1975. Conhecida como "poetisa do punk", ela trouxe um lado feminista e intelectual à música punk e tornou-se uma das mulheres mais influentes do rock and roll" (Wikipédia).
Fotografada neste caso pelo polêmico fotógrafo Mapplethorpe.
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Terça-feira, Julho 24, 2007
Baile de quinze anos na varanda
A filha descalça dança sorridente
Sua valsinha torta de toca fita
Fazia quinze anos, reluzente
A menina-moça bonita
O pai desengonçado a convida
Num gesto que nunca mais se repetiu
A filha envergonhada se atira
Num gesto que nunca mais se repetiu
Amigos, na varanda, entediados
A verem a dança infinita
E o cachorro, dormindo acordado
Quase no meio da pista
Rodopiam levemente pai e filha
Em constante compasso três por quatro
A mãe, meio de lado, sorria
E com o olhar guardava o retrato
Hoje, depois de vinte anos idos
O pai, fugiu. E a filha, chora
E a mãe, para lembrar do acontecido
Contempla o então retrato da memória
Por
Vítor Meireles
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Sábado, Junho 09, 2007
O Grande Botão Vermelho
Diogo Mainardi
Eu tenho um filho com paralisia cerebral. Neil Young tem dois. Ele fez o hino da paralisia cerebral. É T-Bone, do disco Re-ac-tor. Neil Young repete uma mesma frase sem parar, por nove minutos e dez segundos:
Got mashed potatoes
Ain't got no T-bone
Ou:
Tenho purê de batatas
Não tenho bisteca
A paralisia cerebral é uma anomalia motora. Meu filho anda errado, pega errado, fala errado. Quando é para soltar um músculo, ele contrai. Quando é para contrair, ele solta. O cérebro dá uma ordem, o corpo desobedece. É o motim do corpo contra o cérebro. Como o doutor Strangelove que se estrangula, com aquela sua "síndrome da mão alienígena".
O tratamento da paralisia cerebral consiste em repetir em casa e na fisioterapia os movimentos que os outros meninos aprendem instintivamente. Sobe. Desce. Rola para um lado. Rola para o outro. Abre. Fecha. Perna direita para a frente. Perna esquerda para a frente.
Neil Young teve dois filhos com paralisia cerebral com duas mulheres diferentes. Por isso ele é o chefe da nossa tribo. O primeiro filho se chama Zeke. O segundo se chama Ben. T-Bone é de 1981. Na época, Ben tinha 3 anos de idade. Ele era tratado pelo método Doman, um programa de terapia intensiva desenvolvido na Filadélfia, nos Estados Unidos. Eram doze horas por dia de terapia caseira, sete dias por semana.
Neil Young falou sobre o período:
¿ Nosso filho não engatinhava, e diziam que, se ele não conseguisse engatinhar, a culpa era nossa, porque não tínhamos seguido o programa direito. Sofremos uma lavagem cerebral para pensar que o único jeito de salvar nosso filho era o programa. Durou dezoito meses. Dezoito meses sem sair de casa.
Neil Young só podia trabalhar entre 2 e 6 da tarde. Foi nesse intervalo de quatro horas diárias que ele gravou Re-ac-tor. O resto do tempo era dedicado à terapia de Ben, repetindo obcecadamente sua rotina de movimentos. Batata. Bisteca. Batata. Bisteca. Batata. Bisteca. Batata.
O método Doman era uma seita. Ao longo dos anos, acabou perdendo adeptos. O conceito lamarckiano de que o uso contínuo podia moldar as características dos portadores de paralisia cerebral foi posto de lado. Era muita batata para pouca bisteca.
Quando Neil Young percebeu isso, tudo mudou. Em vez de tentar adaptar Ben à realidade, ele passou a adaptar a realidade a Ben. Neil Young é um colecionador de trens elétricos. Como Ben era incapaz de acionar os trens, ele inventou um dispositivo para facilitar a operação. O dispositivo ficou conhecido como O Grande Botão Vermelho. Com O Grande Botão Vermelho, Ben podia finalmente abrir porteiras, engatar locomotivas, fazer o trem mudar de trilho, soltar fumaça e apitar.
Meu filho nunca se interessou por trens elétricos. Mas ele tem um Grande Botão Vermelho conectado a mim. Ele me liga e desliga quando quer. E me faz mudar de trilho, soltar fumaça e apitar.
( para ouvir 30 segundos da música do Neil Young clique no link: http://yahoo.imusica.com.br/album.aspx?id=10371 )
Diogo Mainardi é colunista da revista veja.
postado por rudepoema 12:17 AM Comments:
Domingo, Maio 20, 2007
Memórias de um tripulante desmemoriado
Vítor Meireles
Naquele navio gigante
Só (r)estava eu
Que acabava de acordar
Eu que não lembrava de nada
Eu que um navio nunca soube guiar
Ia o navio... ... ...
Em plena noite-madrugada
A caçar o horizonte
Como um sonhador caça seus sonhos vazios
O silêncio do mar causava arrepios
O navio tão desgovernado e arredio
E eu, seu único tripulante
Desmemoriado, porém sóbrio e sombrio
(como dói a sobriedade em meio ao desespero)
Por que mereceria ser deixado em um navio
Sem memória, sem loucura
Sem vontade de me matar
Ainda esperançoso de uma terra ancorar?
Ah!
Como vinha triste a brisa
A retirar lágrimas dos meus olhos cansados
Estúpida esperança
Rezo então para as estrelas
Hei de ter sorte com os astros
Como mágica
Me diz uma trovoada ao meu íntimo
Que a sorte nunca surgirá em um navio à mercê do nada
Com um só tripulante quase fantasma
Deus me arrancou de vez o sono
Estava condenado à vigília eterna
A ouvir todos os meus monstros e os monstros do mar a azucrinar
Passavam horas suficientes para cinco dias
E, no entanto, era sempre uma noite imensamente melancólica
Meu coração já quase não batia à bombordo
Fui à proa
Levantei as mãos à via-láctea
E perguntei num grito atormentado:
-Para onde foram todos do navio?
-Estou indo para qual lugar?
E o navio me respondeu:
- Eles nunca apareceram
- E nunca haverá lugar para atracar
(lanço-me, sem querer, nas profundezas do mar).
Vítor Meireles a música e a poesia. o olhar e o silêncio. nada cai em esquecimento. a memória pode ser revivida em seus grandes olhos.
Edward Hooper sua influência no mundo da arte e da cultura pop é inegável. Homenagens a Aves da Noite caracterizando personagens de desenho animado ou ícones famosos da cultura pop como James Dean e Marilyn Monroe são freqüentemente encontrados em lojas de quadros e de presentes. Apesar disso, muito de suas pinturas também se basea na sua esposa como modelo para as figuras femininas.
As composições cinematográficos de Hopper e seu uso dramático de luzes e escuridão também fez dele o favorito entre os cineastas. Por exemplo, diz-se Casa ao lado da ferrovia influenciou levemente a casa no filme psicose de Alfred Hitchcock. [retirado do wikipédia].
postado por rudepoema 11:22 PM Comments:
Sábado, Abril 28, 2007
Dia de cinema no Jardim Vitória www.diariodecuiaba.com.br
Da Redação
Perninhas ansiosas transitando de um lado para outro procurando o melhor lugar, olhos arregalados grudados na telona e bocas cheias de pipoca. Essas são características comuns entre as crianças em dias de Cine Vitória, mostra grátis de cinema e vídeo que chega a sua quarta edição no próximo dia 27 de abril, sexta-feira, às 15 horas na sede do Espaço Vitória (Avenida José Estevão Torquato, nº 999, Jardim Vitória, Cuiabá).
O Cine Vitória, que já contou com a participação de Amauri Tangará e da Central Única das Favelas ¿ CUFA, dessa vez apresenta trabalhos da videomaker Ana Paula Sant¿ana, que apresentará dois documentários e dois curtas de ficção, respectivamente: Covis Irigaray ¿ Fragmentos, Dança do Congo, Sozinhos e A última Chuva, este último de Vitor Meireles.
Como de costume, depois da apresentação dos vídeos, o apresentador compartilha suas experiências com o público presente. No caso, Ana Paula desvendará alguns mistérios sobre o mundo existente por trás das câmeras, dará dicas de como construir um roteiro e falará um pouco sobre a produção audiovisual no estado de Mato Grosso, com o intuito de proporcionar lazer, cultura e conhecimento aos moradores do bairro.
Despertar o interesse dos moradores da comunidade do Jardim Vitória, sobretudo, das crianças para com o cinema e sua produção é o objetivo do evento. ¿Pretendo fazê-los desconfiar dos meios de comunicação de massa e mostrar que o vídeo pode ser o meio de comunicação ideal pra grupos populares se expressarem¿, romantiza Ana Paula.
O Cine Vitória é uma iniciativa do Espaço Vitória que uma vez por mês oferece cinema gratuito e de qualidade à comunidade do Jardim Vitória, valorizando o trabalho daqueles que pensam a sétima arte no estado de Mato Grosso e instigando os moradores a pensar o cinema de forma diferente. (com assessoria)
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Além da mostra no Jardim Vitória, houveram palestras para o projeto poesia necessária nos colégios Raimundo Pinheiro e Ferreira Mendes.
Como mostra o link a seguir.
poesianecessaria.blogspot.com/2007/03/palestra-de-vtor-meireles-tivemos-o.html
Os vídeos "Sozinhos" e "A Última Chuva" serão lançados oficialmente em menos de um mês no Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá.
postado por rudepoema 12:23 AM Comments:
Quarta-feira, Abril 04, 2007
FRASES PARA AJUNTAMENTO
Insetos moram em mim.
O inverno, de mim, caiu em tarde.
Quando penso, sinto cheiro de água verde.
O vento me semeia quando broto em noite.
Arvoreci em oco de outonamento.
Estou oca e côncava para apodrecimentos.
Ontem, entardecerei para lagarto.
Os livros me descortinam para ignorante.
Não sei contar, só as letras me somam.
Idéias despidas me momentam.
Ângela Fontana estuda linguagem e se devaneia com elas.
Possui um fotolog onde mostra sua poesia [que chega silenciosa e quando você vê já está: assim como ela mesma] em pequenas partes: www.fotolog.com/ang_font
postado por rudepoema 11:57 AM Comments:
Sábado, Março 24, 2007
DUAS HISTÓRIAS
O projeto da produtora Luneta Mágica, em parceria com a banda rudepoema, que participou da trilha sonora, proporcionou a criação de dois vídeos. Entre outros apoiadores estão Fá Maior Audio Studio, do produtor e músico Eduardo Lehr, Marcos Okamura Xtudio, Lamiré Cinema e Vídeo e Cia Pessoal.
Sozinhos de Ana Paula Sant'Ana
foto: protásios terrificus
O vídeo "sozinhos", um dos inúmeros dirigido e roteirizado por Ana Paula Sant'Ana, escritora, videomaker e idealizadora do projeto, possui uma linguagem experimental e simbolicamente rica. Ana Paula, que também trafega pelo campo da criação literária e musical, elaborou belas metáforas sonoro-visuais.
Um mulher, Íris, interpretada com pungência por Deise Kuntze, vive num pêndulo entre a histeria e o silêncio. Quando está só ouve ruídos vertiginosos. Quando na multidão, sofre com a inexpressão das pessoas, e nunca ouve nada.
O peso do mundo individual entra em conflito com o coletivo. Entre ruas, automóveis, supermecado, viadutos... todas as pessoas são iguais a Íris, o velho de chapéu de palha a esperar o ônibus, a moça que olha pro chão por não suportar o imenso calor, mas talvez só ela sinta a carga existencial a lhe castigar por não se distrair - por só saber sonhar seu sonho vago e imaterial.
***
O vídeo possui longas cenas paradas que martelam as consciências dos observadores. Poesia imagética. Verborragia silenciosa que culmina num sono aparentemente leve, e numa voz controversa que canta que a vida não tem fundo musical.
A Última Chuva de Vítor Meireles
foto: protásios terrificus
Extraído de um conto de Vítor Meireles, diretor e roteirista da obra em questão, o vídeo narra sem palavras a história de Cícero, um compositor e violinista, muito bem intepretado por Eduardo Espíndola. Cícero faz parte de um grupo de serenatas, os "Trovadores da Noite". Num dia chuvoso, o músico encontra casualmente uma moça, que se refugia em seu guarda-chuva. Resolve então criar uma canção à bela moça, não suspeitando que seu sonho ingênuo lhe proporcionaria sua última chuva. Deixaria as nuvens carregadas se iludirem sozinhas desde então.
***
O vídeo transcorre por vários pontos da Cuiabá tradicional. E conta com expressivas atuações de Rodrigo Toledo e Tatiana Horevicht. Destaque para a canção-tema autoral de João Paulo Machado, talentoso compositor violinista.
§
É de extrema valia lembrar da competência e disposição da equipe técnica, que também contou com profissionais estreiantes no audiovisual.
A agilidade e atenção de Daniela Leite na produção. O sempre disposto Bruno Pini. O olhar estético de Talita Marimon e Nanda Conciani. O olhar rápido e detalhado das fotos de Protásios Terrificus. O piano de Jonas Ferreira, do rudepoema. A competência incontestável do produtor musical Eduardo Lehr. A maestria das imagens de Ana Paula Sant'Ana. A cordialidade e precisão de Marcos Okamura, editor. A sagacidade de Cristiano Costa, fotografia. Os favores além da conta de Paulo Kruckoski. A gentileza de Estela Ceregati, Neriely Dantas, Monique Lordelo. Entre figurantes, colaboradores e outros tantos.
foto: protásios terrificus
PASSOS:
O futuro agora é mostrar os trabalhos em colégios, seguidos de palestras com os participantes dos vídeos.
Já está confirmado quatro palestras em dois colégios públicos da capital para as semanas seguintes.
foto: protásios terrificus
Os dois vídeos possivelmente estrearão no Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, em maio deste ano.
Nesta terça-feira última, dia 20 de março, saiu extensa matéria de capa da folha 3, no jornal folha do estado... www.folhadoestado.com.br
Mais informações:
Fotolog da produtora Luneta Mágica: www.fotolog.com/luneta_magica
Fotolog da banda rudepoema: www.fotolog.com/rudepoema_
Comunidade da banda rudepoema: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=4242425
postado por rudepoema 6:26 PM Comments:
Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007
Para Sylvia Plath e para mim.
Ana Paula Sant'Ana
Vil em tuas preocupações
Eu me torno mais viril no que rejeito
Olhar impróprio ao comum
Distanciam-me
De ti e do mundo
Em meu peito a dor cavou o vazio
Que nenhum amor pôde salvar
Sou inoportuna
E me irrequieto sozinha no fim do silêncio
Onde a luz e o silêncio se encontram
Meus olhos não mais se fecham
Suspensa flutuo entre rosas
Visto-me ¿ e me armo, de seus espinhos
Enquanto os parapeitos das janelas têm rostos
Todos têm rostos
Que me vigiam
A noite não tem doçura
Meu esquecimento está no dia
Uso rosto para disfarçar o que há em mim
Mas a verdade pinga em gotas que irão me afogar
A correnteza que sou é mais forte que a árvore fina que plantei pra mim.
Lucian Freud, pintor alemão, apresenta uma tenacidade invulgar, uma coerência singular, avessa às modas e tendências, onde vemos emergir o retrato, como categoria central onde o visível se vem tecer no vivível, pela graça do olhar.
Ana Paula Sant'Ana tem Lucian Freud como seu pintor favorito, mas escreveu uma poesia para Sylvia Plath.
postado por rudepoema 11:53 PM Comments:
Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007
À Rimbaud o gozo de minhas confissões adolescentes.
De João Pede Feijão.
Tenho o coração concreto, pois que aprendi coração concreto e concreto na mesma noite bisonha. Hoje só o meu dedo é maldito, o resto do corpo é no máximo manuscrito pela minha primaveril paranóia. Cada passo dado foi minha iniciativa de ¿perambular no inferno¿, mesmo tão tarde. (¿odeio o corpo que se deita e se incomoda comigo a margem do meu deliro¿ quis dizer assim ao meu irmão que finge (meu irmão) que entende, mas tem medo). Meu corpo fechado foi presa fácil ¿ ouvi seu clamor. Falava comigo. E lhe apresentei p¿ra todo o mundo com meu hormônios, fedor e humanidade de olhar o chão enquanto todos falam em filosofias. Como chegar ao limite e chutar tudo? Espalhar esse amontoado de ciscos e gravidade ¿ matéria de minha represa, contenção de gastos? Se tudo que faço é arrotar um almoço digno de manicômios amontoadores de humanos que sobram? Não posso ir além pro nada. Tenho medo da morte! Pronto confessei! Temo chamá-la e não ser atendido.
Alguma piedade me interropeu ou foi impressão minha ¿ tatuagem de Vênus em minha bunda ¿ digital de escritor no crime confesso? Pode sair se quiser, em sua ausência continuarei meu grito. Chamem as autoridades se quiserem, em vossas ausências continuarei meu grito. Chame o que grito e nesta ausência desliza um silêncio que te alcança, surdo!
Sei que pareço falar como os fiéis que prometem alguma idiotice. E vocês têm razão, falo como um idiota que ri de minha careta. PLATÉIA! Aplausos para os caretas que se contorcem em mim!
Aos treze anos não fui gênio, como sempre. Fui religioso ao invés disso. Mas acho importante ressaltar: ¿em minha frente se desvela um mundo onde o diabo sussurra seu recado em microfones invisíveis. Eu, adoro esta sensação de intimidade, sou como uma puta adormecida e estuprada com medo da primeira noite com seu príncipe encantado do futuro, naquele tempo. Cheguei a tremer com todos os gritos afinados na mesma torção, uma multidão de falsos profetas e foi fantástico... e tenho vergonha.
Devo admitir que não tenho mais forças reservadas, mas não temo esta trilha descampada (que se alonga tanto) já por tantos nobres de almas imensas. Eis o caminho de onde vou... quando puder continuar. Agora quero olhar seus olhos fundos, abertos pro mundo, me jogar neste precipício de adormecer fedendo.
postado por rudepoema 4:14 AM Comments:
Quinta-feira, Janeiro 25, 2007
ela abriu a carta ainda na varanda
e foi surpreendida
com seu conteúdo
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uma rosa a desabrochar até sufocar seus olhos
desmaiou... e acordou no dia seguinte
no mesmo lugar
um tanto diferente
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vítormeireles
postado por rudepoema 11:26 AM Comments:
Sábado, Novembro 18, 2006
$$ LEILÃO $$
Vítor Meireles
- Dou-lhe uma! Dou-lhe duas!
- 65.652.66,00!!!!
- Que incrível oferta!
- Quem dá mais? Quem dá mais?
E assim transcorre o leilão do sorriso mais raro, requintado, modal, esfuziante, radioso e belo do mundo. O sorriso da modelo Anabel Katerine Gönuel.
A modelo sul-triviense, muito caridosa, ofereceu leiloar seu sorriso a uma instituição de caridade de uma cidadela muito pobrezinha do leste do continente anulático. É óbvio que, apesar de ser um gesto caridoso, a única coisa que os pobrezinhos do continente anulático verão serão os panelões cheios de arroz branco vindo com o dinheiro do leilão. Pois o sorriso mesmo, o sorriso magnífico-caliente-esplendoroso-atraente só verá o comprador, numa sala fechada. No contrato está estabelecido que o tempo do sorriso é de apenas dez segundos, até porque se fosse mais que isso soaria demasiado artificial. E enjoaria o comprador, pois logicamente desvalorizar-se-ia o produto.
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- Dou-lhe uma! Dou-lhe duas! Dou-lhe duas vírgula cinco!
- 69.985.25,00!!!!
- A oferta é tentadora!
- Alguém dá mais? Quem? Quem?
A essa hora os vermes das barrigas dos pobres sulicaños estão preparando os talheres. A imaginação daquele povo sofrido está a mil depois que receberam um telegrama avisando-lhes sobre o leilão.
No auditório se encontram grandes empresários, políticos, fazendeiros, risófilos do mundo inteiro. Todos vieram fazer das tripas coração para conquistar o sorriso de Anabel. Por enquanto quem está com o lance é o presidente da Ilha de Tácamo. É bem verdade que dizem que no país dele é tão frio que sorriso mesmo só se dá sem querer quando se está batendo os dentes. A temperatura em seu país no inverno-um chega a setecentos graus negativos. Não é à toa que o presidente veio determinado a levar o sorrisão!
O leiloeiro percebe, ao fundo, três homens arquitetando alguma estratégia. E então, muito esperto, adverte:
- Quero deixar claro que não é aceitável nenhum tipo de aglomeração coletiva de dinheiro resultando no ganho de ambos os membros do grupo investidor. A vitória é individual, só entrará um único indivíduo na saleta destinada à execução do então sorriso.
Ouve-se burburinhos. Alguns protestam. Outros concordam. Outros continuam semi-distraídos nos cálculos.
Anabel está exposta numa espécie de vitrine à prova de balas. Os organizadores do evento aproveitaram para dar à proteção um visual moderno e atual. Anabel parece entubada numa clínica neo-natal, mas os risófilos adoram tudo isso.
Anabel tem os cabelos prateados, corpo esbeltíssimo, mede cerca de cinco metros e meio de altura e tem olhos fundos. Dizem que ela só come acelgas e suas fezes têm o odor das fezes de vacas.
Hoje, à beira da mudança do inverno-três para o inverno-quatro o frio está mais suportável. Os debatedores entusiasmados não param.
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- Dou-lhe uma! Dou-lhe duas! Dou-lhe duas vírgula cinco! Dou-lhe duas vírgula setenta e cinco! Dou-lhe duas vírgula oitocentos e vinte e cinco! Dou-lhe duas vírgula nove nove nove nove nove nove nove nove nove nove nove nove nove nove nove.
(Observação: o leiloeiro receberá cinco por cento do valor total).
Levanta o velhaco mais sisudo do auditório, o risófilo Dônico Gamílio, mestre em comprar sorrisos de prostitutas na periferia da Casulina.
- 75.560.74,00!!!!
- Que numeração gloriosa! Deus meu!
- Alguém ainda se arrisca? Vamos!
Pela primeira vez se faz um silêncio absoluto no auditório. Todos estão um tanto tristes por acharem impossível alcançar ou ultrapassar tal valor. Anabel pela primeira vez mexe o dedo do pé.
Tempos e mais tempos de silêncio total e o leiloeiro começa a contar:
- Dou-lhe uma! Dou-lhe duas!
- Vai logo antes que o velho desista. Pensa consigo mesmo.
- Dou-lhe três!!!!
- Vendido!!!!
- Vendido para o Senhor Gamílio.
Anabel vai instantaneamente para a saleta com o velhote. Dá o que deve ao velho: um sorriso médio de dez segundos de duração. O velhote não pôde levar sua máquina de fotografia. No término do prêmio o velhote suplica:
- Dá só uma gargalhadinha vai!
- Não, seu velho louco! O que está combinado está combinado.
A moça se espanta com a insistência exacerbada do velho e chama os seguranças. O velho sai da sala semi-consciente e babando muito. Anabel finge para a imprensa que está tudo bem, que a fome no país do Sulicão será amenizada. Sobre o velhaco disse ser a emoção de ver um sorriso.
Enquanto o velho baba, os sulicaños ficam com água na boca.
Engraçado que no Sulicão as hienas são perigosas.
postado por rudepoema 4:11 PM Comments:
Quarta-feira, Outubro 25, 2006
Ana Paula Sant'Ana
Absorta
Era uma tarde chuvosa. O telefone tocou. Mas Elisa como um lobo medroso não conseguia ver quem era. Persistente o agudo ecoava nas paredes frias de tanta água que caia lá fora. Pisava com leveza em volta do telefone, a fim de devorá-lo com seu apetite, ainda que não sentisse seu sabor, que não desfrutasse de sua satisfação, mas orgulhosa poderia saber que uma vez ao menos havia agido por impulso, sem medo do fim que isso poderia lhe causar, mas um sentido de animal treinado a fazia espreitar e desejar apenas.
Havia chegado até ali com vida, já mais mansa, é verdade, porém carregada de uma estranha sabedoria que os sobreviventes recebem, uma falta de brilho no olhar e uma confiança de que a vida é sempre menor do que a que imaginávamos, antes de nos tornarmos lobos famintos e insatisfeitos.
O telefone tocava. Era apenas o segundo de uma vida que passava a sua revelia. Ela que da sua fraqueza, de sua apatia observou aquele mundo já pronto, estragado, sempre soube, mas pronto pra que ela o desafiasse, e então poderia entortá-lo, revirá-lo de acordo com ela mesma. E isso foi mais simples do que pensou.
A chuva aumentava. Percebeu que as paredes estavam mais frias e sentia, sem saber porque uma tensão. Era um presságio.
Maria Elisa Olsen Gerhardt
Se o telefone parasse de tocar Elisa podia esperar o que ela tinha aprendido. Solidão. Esse era o caminho. Não, não era o seu caminho. Mas o caminho de uma multidão desengonçada, arquitetando por todos os lados, pobres seres querendo subir aos céus, escapar da mentira. Mas não Elisa. Elisa logo viu onde tudo iria acabar. Ela não tinha esperança.
Aquele telefone não parava de tocar. Ela podia atender, era uma chance, era uma chance. Onde está o destino? Agora se pode escolher?
Mas se ela atendesse o telefone, abrisse os braços, o peito à sorte, ela poderia fracassar. Era lobo. Não saberia como se comportar bem. Como ter paciência. Apenas saberia jogar. Porque era treinada, porque era instintivo, porque era a desgraça que corria no seu sangue. Não só no seu sangue, mas no sangue de todos os filhos de Deus.
Dali a pouco a sala ficaria em silêncio. Ela talvez escreveria uma carta, comeria um pão seco, decoraria o azulejo, esperaria anoitecer e esperaria o sono, que qualquer hora viria. Ponto de paz. Mas alguma coisa iria entristecê-la e ela se veria de novo fraca, descorada, sem motivos de. De haver porque existir.
Ninguém lhe chamava quando as paredes se romperam com a chuva. Elisa que dormia nem sentiu nada. A água caída do céu sendo respirada lentamente, elevando Elisa as nuvens.
postado por rudepoema 11:58 AM Comments:
Terça-feira, Outubro 10, 2006
Vítor Meireles
Por favor, uma palavra mais bonita para sonho
Sou um homem comum. Até porque não aprendi a ser mais que isso. O fato é que não tenho estado com o foco em mim ultimamente. Isso tem me trazido desvarios inúteis. Decidi ser do mundo, ser do outro, ao menos temporariamente. Navegar por outras ilusões. Estou nesse exato instante a observar um homem aparentemente comum também. Foquemos-nos nele. Ele deve ter lá suas cinco décadas de vida. Calça social acinzentada, camisa quadriculada com cores variando sequencialmente entre o amarelo e o bege, o que dá ao homem mais neutralidade ainda.
Nada. Mas nada no mundo me tira da cabeça que ele é um paranóico. Esse ar de comum não me engana, é dentro dessa carapaça que se escondem as mais profundas paranóias. Ó homens! Tão diferentes e tão semelhantes! Não me atrevo a dizer que os conheço plenamente, mas conheço o bastante para me aventurar por entre longos julgamentos. O homem leva ao mesmo tempo sua historicidade incomum a outros homens e paradoxalmente leva consigo a marca mais inautêntica de simplesmente ser e ter tantos sentimentos a priori como todos seus outros irmãos. E esse aí não me engana, não mesmo. É daqueles que não tem nada de especialmente bom, é comum e paranóico! Comum e paranóico! Comum e paranóico! Feito a imagem e semelhança da Terra que o pariu. Comum e paranóico.
Ele está em pé na porta do banco com as mãos na cintura. Não sei o que ele espera. É boçalmente um homem com ar de espera na frente de um banco movimentado da capital. Balança as chaves do carro tamanho o seu tédio. Esperem, esperem! Vai passar por ele uma mulher belíssima. Quero ver se o paranóico vai dar uma olhadinha safada. Provavelmente sim. Esse deve ser aquele tipo de paranóico cansado da sua vida conjugal, que casou por inércia e não por amor. Ele vai olhar aquela cabritinha de óculos escuros. Vai, eu sei que vai. Ele vai olhar e pensar: ¿maldito seja o tempo que não pára de me passar para trás¿. Conheço esse tipo. Vamos ver, vamos ver. Vai passar, já está passando. Ele não olhou! Covarde. Isso só pode ser covardia. Prefere não encarar o pecado a relutar contra o mesmo. Além de comum e paranóico, é claro, só podia ser covarde. Deixa estar.
Nesse momento devo confessar que já me cansou essa missão de observar tão inexpressivo ser humano, mas como já comecei, forçarei minha vontade a ir até o fim. Ele olha o tráfego dos automóveis alucinados pela cidade alucinada. Deve estar pensando: ¿O mundo todo girando, eu aqui parado¿. Não sei como está agüentando esse calor a essa hora da tarde. Mais um sofredorzinho nesse mundo de sofredorezinhos. Vejo na sua camisa um pouco mais chique que a média, uma pequena poça de suor. Na altura do sovaco. Deve ser daqueles que se ilude com as propagandas de desodorante anti-transpirante, como se o calor dessa cidade maldita contivesse o suor de jorrar por entre os poros de um cidadãozinho em pleno exercício de futilidades necessárias.
Agora o maldito não pára de olhar os transeuntes com esse ar soberbo que não sei de onde tem forças pra tirar. Esse ar soberbo que deve ter emprestado ou plagiado de um amigo superior, ou de um simples personagem de cinema. Quantos amigos o canalha deve ter? Bem. Pelo seu olhar exagerado de quem está sempre procurando algo eu diria que ele conta nos dedos não mais que meia dúzia. Porém, no íntimo do seu íntimo ele mesmo sabe que é completamente só. Sim, ele tem jeito de quem chora. Não existe covarde que não chore escondido. Não existe covarde que não seja consciente da sua própria covardia. Não existe, portanto, covarde que não tenha ojeriza da sua própria condição de covarde.
Um burrico de carga a carregar o mundo. Cinqüenta e poucos anos de idade e tanta falta de sagacidade. É tão triste e cansado seu olhar, que se me olhasse me faria desistir de todas as conquistas.
Eu sempre pensei que aquele que se acostuma com a rotina assina seu contrato com o nada. É simples acordar, ler jornal, tomar café, trabalhar, entregar-se a mulher, e não mexer o esqueleto pra mudar essa vida infrutífera que leva, uma vida sem as utopias do coração. É fácil trocar as verdadeiras paixões pelo simples agradável. É fácil sacrificar-se em prol do agradável. Afinal, o agradável é tão... é tão... agradável.
Se fosse para definir de forma clara e básica o sujeito, então objeto de minha análise, a minha frente, eu o definiria como: um homem sem talento. Sim. E que fique clara a distinção entre um homem que nasceu sem talento mas que buscou por méritos e esforços suas realizações, desse sujeito que fica balançando as chaves esperando alguém chegar, esperando também o milagre chegar.
O tempo passa e ninguém chega. A poça de suor vai aumentando, deixando sua camisa claramente dividida em duas tonalidades diferentes. Pela primeira vez o vejo sem estruturas. Ele olha veloz no rumo exato da árvore a qual me encosto. E desvia o olhar com displicência desconfiada. Pro meu susto ele vem em minha direção. Não havia ninguém a sua espera. Era apenas um homem parado olhando a vida passar com suas chaves na mão. Provavelmente passava por ali e não teve mais forças para caminhar, ou por um motivo nebuloso, até metafísico, parou onde tinha de parar, foi o que tinha de ser, como aqueles momentos nos quais algo além da nossa vontade nos guia. Nesse caso é falta de vontade mesmo. Deve ter empacado.
Mas desempaca e continua vindo firmemente na direção de onde estou. Seus passos são passos de uma audácia faltante ao resto de sua feição de perdedor. Incrivelmente audaz. Nem ele deve se ter percebido tão audaz em toda a sua vida. Só não se assustava pois estava determinado o bastante a seguir sua meta.
Ele passa, me olha fundo, e vai embora.
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. (1 minuto)
. (5 minutos)
. (15 minutos)
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Devo dizer que esse olhar me matou por dentro, e, daqui em diante, nunca mais serei o mesmo.
postado por rudepoema 4:58 PM Comments:
Sábado, Junho 17, 2006
O blog do rudepoema, entre informações da banda e outros textos, se destina também a entrevistas.
Nessa sessão, uma entrevista com o MOVIMENTO CENTENARISTA, um movimento autêntico nascido na Facvldade de Direito do Recife.
Entrevista com o MOVIMENTO CENTENARISTA (1ª parte):
"Partidos marxistas que em mais de 20 anos não fizeram qualquer revolução podem fechar as portas, só serve como uma S/A, cujo patrimônio é seu histórico de aliciamento sexual de jovens e a ¿ressurreição eterna¿ do pavor de uma ditadura que já virou pó, enquanto engendram sua ditadura particular. Em suma: ALIMENTAM-SE DO QUE NÃO PLANTAM PARA COLHEREM OS FRUTOS DE QUE SE ALIMENTAM."
Trecho da Epístola do Movimento.
- Em que consiste, essencialmente, o Movimento Centenarista? Como ele é ordenado? Quais áreas o Movimento abarca?
Essencialmente o MOVIMENTO CENTENARISTA move-se pela profunda fé em Deus. Este alento nos impulsiona a agirmos em nosso meio. A Facvldade de Direito do Recife (FDR/UFPE), encontrava-se submetida a visões políticas de inspiração esquerdista; não suportávamos mais aqueles discursos padronizados, tediosos, enfadonhamente contra o FMI, BID, ¿neo-imperialismo¿, ¿neo-liberalismo¿, ¿neo-colonialismo¿; por outro lado, viceja discursos liberalizantes, como por exemplos, discursos pró-homossexualismo, feminismo, aborto, manifestos favoráveis ao MST e às demais piores influências possíveis, características do mundo (pós-)moderno. A nossa Facvldade estava legada à mais profunda ignorância e alienação, e ainda mais, temos de suportar estes hipócritas esquerdistas, que pousam de revolucionários populares ¿ mas voltam para casa acondicionados em seus carros com ar condicionado. A burrice já era uma instituição fortíssima no meio acadêmico. Nossa luta é contra ela, contra a falsidade intelectual do relativismo, contra a perseguição à Religião Católica, contra aqueles que crêem.
Nesse turbilhão, a Facvldade restava inerte, faltavam ações enérgicas por parte dos grupos estudantis, ais preocupados com os acontecimentos mundiais, em detrimentos de preocuparem-se com os problemas mais próximos de nós. A preocupação pragmática de nosso grupo é a de ser advogado dos estudantes de nossa Casa, e defensor das causas da CASA DE TOBIAS.
Um dos nossos maiores intuitos é cultivar cultura que não seja eivada de modernismos, nem de socialismos, nem quais outros ideologismos depravadores. Queremos unificar os estudantes através da Cultura, atividades culturais, que são muito exangues em nossa Facvldade ¿ e quando existem, são viciadas de romantismos políticos.
O MOVIMENTO CENTENARISTA é ordenado segundo uma simples hierarquia de dois degraus: uma esfera decisória e uma esfera maior, de discussões e ação. O grupo surgiu em 7 de Outubro de 2005, contando com apenas duas pessoas. Duas pessoas discutiam, decidiam e agiam. Agora, depois de participarmos de nosso primeiro pleito pela Diretório Acadêmico da Facvldade de Direito do Recife, temos conosco mais pessoas discutindo e agindo.
- O Movimento Centenarista teve origem na Facvldade de Direito do Recife. Entrementes, como o movimento vê a possibilidade de uma abrangência para além das fronteiras da faculdade e quiçá de Pernambuco?
Não se trata de meta presente, quiséramos nós essa capacidade e tal graça! Contudo, é verdade que pensamos nisso, mas ainda é cedo para alçarmos tão alto vôo. Há muito o que ser feito por aqui.
Um dos primeiros passos para levarmos nosso pensamento até outras plagas, é a criação de um site que já estão em construção. Queríamos que os interessados, residentes de outros lugares do país, entrassem em contato conosco através do site, nosso e-mail (movimentocentenarista@hotmail.com) ou orkut, para assim pormos fogo nesta discussão e fortalecermo-nos nesta guerra. Seria ótimo se em todas as universidades do Brasil tivéssemos uma centelha similar a este que move o MOVIMENTO CENTENARISTA, pois a ignorância não é exclusividade de nossa Facvldade, e este mal não cancã de expandir-se pelo meio acadêmico.
Aqueles, de outros lugares, que mais se dispuserem a dialogarem conosco neste momento, o que podem fazer, é virem ao nosso estado para, se puderem, experienciar o que acontece e como somos e agimos. Mas, por enquanto, acreditamos, no que concerne a isto, que ficaremos apenas nos meios eletrônicos.
- Existe influência direta de quaisquer filósofos, pensadores, teóricos e/ou escritores no Mov. Centenarista? Quais são? E, concomitantemente, qual "filosofia" o movimento abomina?
Ainda não há uma consistência única do pensamento do grupo. Os líderes do MOVIMENTO CENTENARISTA seguem o ensinamento Cristão Católico, o verdadeiro ensinamento para os homens encontrarem A Verdade; mas em nossas leituras individuais, não olvidamos o estudo de outros filósofos e filosofias menores. Outros membros do grupo, têm visões diversas. Há inclusive ateus e protestantes entre nós. Mas, se Deus quiser, não será por muito tempo. Bom seria se o grupo todo fosse fincado na Fé em Deus e na Religião Católica. É necessário porém reafirmar que nosso grupo é político, não religioso, por isso mesmo a abertura a pessoas de credos diversos.
Nosso doutores são, mormente, Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, entre outros santos, teólogos e as infalíveis encíclicas dos sucessores de Pedro, as quais recomendamos a todos o leitores deste site, mesmo nosso entrevistador.
A filosofia que ABOMINAMOS é a filosofia esquerdista; como disse o próprio Pio XI: o comunismo é intrinsecamente mal. Devemos extirpar este pensamento pernicioso e degradante que ronda sobre nossas cabeças. Somos contrários também ao relativismo, as filosofias gnósticas desde sempre.
- Um movimento que busca revigorar "valores há muito perdidos" sofre, indubitavelmente, críticas de uma modernidade progressista. Qual a legitimidade de tais críticas e de onde, especificamente, estas advém?
ELAS NÃO TÊM LEGITIMIDADE, E ADVÉM DO HUMANISMO ILUMINISTA. E saibam de uma coisa: todo humanismo é decadente se não fundado em Jesus Cristo. Se você perceber a verdade que o Livro ¿ a Bíblia ¿ nos traz, verá que todos os progressismos não passam das manifestações daquele que há muito digladia-se com Deus, e tem por intuito seduzir o homem a entregar-se aos prazeres mais efêmeros do ego.
- Exemplifiquem alguns desses valores que devem ser revigorados.
O respeito à religião Católica Apostólica Romana em sua doutrina; a crença em Deus nos meios universitários; o valor do respeito à hierarquia e à posição de cada um na sociedade; a solidariedade; a busca pela Verdade; e o trabalho constante para melhorar o seu lugar de estudo, o seu lugar de atuação.
- A carta de intenções do Movimento Centenarista o revela como um movimento teísta. Como é justificada a importância desse transcendentalismo?
A importância disso reside no exacto facto de o propósito do MOVIMENTO CENTENARISTA transcender o próprio MOVIMENTO CENTENARISTA, e na cruzada porque nos pomos: A Verdade: Deus. Essa é a crença profunda do Movimento, queira nós que isso seja a busca de todos os membros do grupo e dos futuros centenaristas que um dia irão formar esse corpo forte.
postado por rudepoema 5:30 PM Comments:
Segunda-feira, Abril 03, 2006
só
isto ainda me resta
um abandonado espaço...
frases soltas e um par de botas
na entrada...
uma ausência
que até de sua origem
me escapa...
acho
difícil soletrar uma A-L-VO-RA-DA...
queimar um horizonte feito filme...
viajar pelas escalas de uma partitura
difícil...
sem ao menos significar-me dentro e fora
em cima de um meio termo
ir-restrito...
estou só
estou
só...
(João Pede Feijão... um abobado de múltiplas instâncias... burocráticaticamente falando... falando...!)
postado por rudepoema 10:14 AM Comments:
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